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Acidente da Ponte Instantânea em Miami

27 de abril de 2019
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Há pouco mais de um ano, ocorreu o desabamento da passarela construída para a Universidade Internacional da Flórida, pelas empresas americanas MCM e Figg Bridge Group, o intuito da construção seria de facilitar a travessia dos estudantes da universidade.

O acidente ocorreu antes mesmo da estrutura ter sido inaugurada e a obra ter sido totalmente concluída (a previsão estava para 2019), todavia o tráfego de veículos sob ela já estava sendo permitido. Devido a isso, o colapso da estrutura atingiu carros e pedestres que interceptavam o local, assim provocando a morte de 6 pessoas.

Com o avanço das mais diversas tecnologias, as quais oferecem maior agilidade para diversos processo, o setor da Construção Civil também vem aplicando práticas instantâneas para os processos construtivos. Visto que, um dos fatores orçamentários mais elevados no processo construtivo é o justamente o tempo, atrelado à mão de obra necessária para construção.

 

Nesse contexto, a ponte em questão é considerada como uma “Ponte Instantânea”, devido à velocidade de construção, foi construída por meio da técnica de Construção de Ponte Acelerada (ABC, na sigla em inglês), a qual consiste em construir a ponte de um lado da estrada e depois instalá-la.

 

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Em um primeiro momento, não houve evidências que levaram os engenheiros a acreditarem que a tecnologia usada tenha sido a causa do seu colapso, todavia esse fator foi considerado na investigação e bastante discutido a respeito de usa usabilidade.

A técnica permite que as peças já serem levadas prontas ao canteiro de obras e, por meio de guindastes, a estrutura seja instalada. Ainda, algumas construtoras utilizadoras da técnica argumentam que existem inúmeras vantagens para a aplicabilidade dela, além da redução no tempo de construção, entre essas: a redução de acidentes de operários, pedestres e motoristas; e a não-interrupção do trânsito local.

Por uma outra ótica, o acidente pode ter acontecido justamente pela dinamização do processo, ainda não sendo compatibilizado com os argumentos de vantagens na construção, uma vez que ocorreram vítimas fatais devido ao colapso.

 

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Ao analisar o caso, foi investigado a respeito de um possível aparecimento de fissuras dois dias antes do rompimento efetivo da estrutura. Essas informações foram de certo abafadas pelos responsáveis pelo processo, de forma que não se sabe ainda se essa foi a causa real do desabamento.

Segundo indícios, no momento da instalação das primeiras peças pré-moldadas, havia suportes metálicos no local – como escoras. Por algum motivo, posteriormente, essas mesmas foram retiradas. A carga foi jogada sobre dois únicos pilares de concreto existentes nas extremidades, que com certeza não eram dimensionados para isso. E a treliça acabou forçando um movimento no sentido contrário do que deveria ser, gerando um momento indesejado. Por esses fatores, a ponte só se manteve no local durante 5 dias após sua instalação.

Desse modo, é bem provável que o acidente talvez tenha ocorrido porque o sistema estava incompleto e porque as peças provisórias já não estavam mais lá, o que promoveu ainda mais discussões acerca do processo construtivo de pontes instantâneas e de estruturas pré-moldadas. Assim, fica o questionamento de até onde a Engenharia Civil pode se arriscar com os seus novos avanços tecnológicos e como esses devem ser aplicados a fim de minimizar possíveis novos acidentes.

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